Cena do filme 'Meu tio e o Joelho de Porco', de Rafael Terpins
Cena do filme 'Meu tio e o Joelho de Porco', de Rafael TerpinsFoto: Divulgação

Existe no gênero documental um tipo de proposta intimista, na qual o diretor olha para a história de sua própria família e desse processo de observação retira uma ideia de cinema, um projeto audiovisual que supera as fronteiras dessa intimidade e se aproxima de uma compreensão universal.

É o que tenta Rafael Terpins em "Meu Tio e o Joelho de Porco" (SP), que será exibido nesta segunda-feira (4), na programação do Cine PE - Festival do Audiovisual. Antes, serão projetados os curtas "Edney", de João Roberto Cintra, e "Seja feliz", de Diego Melo (competição pernambucana); e "Sweet heart" (SP), de Amina Jorge, e "Cine S. José" (PE), de William Tenório (nacional). A 22ª edição do Cine PE termina nesta terça-feira (5), com a cerimônia de encerramento.

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O documentário é o primeiro longa-metragem de Rafael, depois dos curtas "Batalha, a guerra do vinil" (2007) e "A guerra dos gibis" (2013). O enredo é sobre Tico, tio do diretor e vocalista da banda de rock nacional Joelho de Porco, que nos anos 1970 misturava punk e humor. "Um documentário sobre o Tico é um desejo antigo", diz Rafael.

"Fiz um grande esforço para explicitar este meu envolvimento no próprio filme, me colocando em cena e interagindo com o pedaço do Tico que ficou grudado em mim depois que ele faleceu [em 1998]. Mais que uma homenagem, quis utilizar a obra dele para contar sua própria história, extirpar o cerne das letras maravilhosamente sarcásticas e organizá-las de um jeito que desenhassem a trajetória da banda", detalha.

A relação com o grupo vai além do afeto familiar: Joelho de Porco é uma das paixões de Rafael.

"Para a maioria dos críticos, o rock parou quando Rita Lee saiu dos Mutantes e só voltou na década de 1980. Mas para mim, desde muito pequeno, 'Boeing 723897' [música do grupo] era um clássico do rock brasileiro. Não só para mim, mas para gente como o André Abujamra, o Língua de Trapo, o Barão Vermelho, os Inocentes, Ultraje A Rigor e etc", diz Rafael. "O Joelho de Porco foi a banda pioneira do rock humor no País", destaca.

O filme começou a ganhar forma com a morte de Zé Rodrix, músico integrante do Joelho, nos anos 1980. "Como o foco do filme era toda uma geração que hoje tem por volta de 60 anos e que abusou bastante da saúde, era necessário gravar antes que fosse tarde demais", diz Rafael.

"No início a ideia era repetir a experiência do 'Guerra dos Gibis', misturando animação, que é de onde eu iniciei minha carreira no cinema, com documentário", comenta Rafael, que encontrou na própria discografia da banda uma estratégia narrativa. "Ao analisar as letras do meu disco preferido do Joelho de Porco, 'São Paulo, 1554/ Hoje', vi que seria possível organizar as músicas para que elas contassem a história", explica.

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