Escritora Luzilá Gonçalves fala na APL sobre o movimento abolicionista
Escritora Luzilá Gonçalves fala na APL sobre o movimento abolicionistaFoto: Clemilson Campos/Arquivo Folha

As mulheres abolicionistas pernambucanas serão o tema da palestra “Suaves amazonas da abolição”, que a escritora Luzilá Gonçalves Ferreira promove nesta segunda (04), a partir das 15h, na Academia Pernambucana de Letras (APL - av. Rui Barbosa, 1596, Graças). A entrada será gratuita.

"Quase nunca se fala delas, apesar de sua atuação ter sido muito importante. Cento e trinta anos após a abolição da escravidão, esta é uma ocasião em que queremos lembrar a ajuda que o movimento delas significou, e seu impacto para o movimento das mulheres de todo o mundo", afirma Luzilá.

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As abolicionistas trabalhavam através do grupo "Ave Libertas", que trabalhava em paralelo ao masculino e mais conhecido "Clube do Cupim". "Enquanto o lema do Clube do Cupim era 'libertar escravos por todos os meios', chegando a promover roubos e outras ações mais radicais, elas queriam 'libertar escravos por todos os meios brandos e persuasivos'. E conseguiram fazer isso organizando quermesses, feiras e concertos para arrecadar dinheiro. Em dois anos, compraram e libertaram 300 escravos, e esse é um número nada desprezível. O valor de um escravo nessa época era muito caro, já que estavam em vigor as leis que proibiam o tráfico de cativos vindos da África e que libertavam recém-nascidos e sexagenários", conta.

Precursoras do feminismo

As integrantes do "Ave Libertas" eram oriundas da alta burguesia, geralmente muito religiosas e defensoras da República. Segundo a escritora, as mulheres do movimento sabiam que tinham menos direitos que os homens e tinham mais cumplicidade com os escravos, por conta da convivência familiar, e consideravam pouco cristão o fato de se escravizarem seres humanos. Além da líder Leonor Porto, destacam-se Maria Amélia de Queiroz e Olegária Carneiro Vilela. 

"É preciso lembrar esse momento histórico e celebrar a forma que encontraram de se fazer ouvir, apesar de viverem numa época em que as mulheres tinham um espaço público limitado. Foram precursoras do feminismo no Brasil, esta foi uma das principais ações iniciais de mobilização. Faço questão de falar sobre cada uma delas, mostrar seus rostos e trazer suas memórias para os dias atuais", finaliza. 

Escritora Luzilá Gonçalves fala na APL sobre o movimento abolicionista
Escritora Luzilá Gonçalves fala na APL sobre o movimento abolicionistaFoto: Clemilson Campos/Arquivo Folha
Pernambucana Leonor Porto era a líder do grupo 'Ave Libertas'
Pernambucana Leonor Porto era a líder do grupo 'Ave Libertas'Foto: Divulgação

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