O comprometimento médio da renda mensal dos brasileiras com dívidas chegou a 30%. No Recife, índice foi ainda menor: 27%
O comprometimento médio da renda mensal dos brasileiras com dívidas chegou a 30%. No Recife, índice foi ainda menor: 27%Foto: Alfeu Tavares

Ao contrário do Governo Federal, que continua acumulando déficits primários, as famílias brasileiras estão aprendendo a lidar melhor com o arrocho financeiro criado pela crise econômica. Tanto que, nos últimos dois anos, mais de 280 mil famílias conseguiram sair do endividamento. O ruim é que boa parte dos novos adimplentes só alcançou esse feito graças à redução do consumo, retardando a recuperação do setor de serviços, o que mais pesa no Produto Interno Bruto (PIB) do País.

A conclusão faz parte da Radiografia do Endividamento das Famílias Brasileiras, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) com base em informações do Banco Central (BCB), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) relativas ao ano passado.

“Em 2014 e 2015, tivemos um período de recessão bastante forte, com contração na renda média do brasileiro tanto por conta do aumento do desemprego quanto pelo aumento dos preços dos produtos básicos. E isso restringiu de forma significativa o orçamento familiar, trazendo um cenário nocivo em relação à taxa de endividamento. Mas, em 2016, passamos a ver um cenário mais positivo”, desenvolveu a assessora econômica da FecomercioSP, Júlia Ximenes.

Ela explicou que, após ter crescido entre 2014 e 2015, a proporção de famílias endividadas nas capitais brasileiras caiu de 61% para 57% em 2016. Com isso, o número dessas famílias também diminuiu, passando de 9,149 milhões no fim de 2014 para 8,868 milhões em dezembro de 2016 - no Recife, esse montante caiu de 365 mil para 345 mil. E o valor das dívidas acompanhou esse movimento, perdendo R$ 1 bilhão em dois anos. A FecomercioSP explica que as prestações devidas pelas famílias brasileiras em um mês somavam R$ 16,8 bilhões em 2014, mas passaram a acumular R$ 15,8 bilhões ao fim de 2016. Consequentemente, o valor médio devido por família baixou de R$ 1.832 para R$ 1.777 ao longo dos últimos dois anos. Com isso, o nível de comprometimento médio da renda mensal das famílias brasileiras com dívidas chegou a 30%, nível considerado saudável pela federação. “E no Recife, esse grau é bastante saudável: 27%”, contou Júlia.

Segundo a assessora da FecomercioSP, três fatores foram determinantes para a redução do nível de endividamento das famílias brasileiras: a dificuldade de acesso ao crédito, o início da queda de preços dos produtos básicos e a própria conscientização financeira da população. “Naturalmente, há menos famílias endividadas porque o setor financeiro passou a ser mais rigoroso no momento de permitir a aquisição de crédito e por conta do custo desse crédito.

Além disso, produtos básicos como alimentos, transporte e habitação passaram a subir menos e isso fez com que sobrasse mais renda para as famílias. Mas também houve uma racionalidade maior por parte delas”, explicou Júlia, concluindo que o “período de crise contribuiu muito para que os brasileiros tivessem mais sabedoria no momento de administrar a tomada de crédito, por ressaltar os custos desse crédito e a nocividade dos juros”.

Essa reorganização financeira, no entanto, se deu através da redução das compras. “Na maior parte das vezes, as famílias que conseguiram sair dessa situação de endividamento tiveram uma alteração no padrão de consumo”, disse Júlia. Ela explicou que, diante da redução da renda média - segundo a FecomercioSP, o rendimento médio da família brasileira caiu 2,7% nos últimos dois anos, chegando a R$ 4.187,78 -, foi preciso priorizar a compra de itens básicos, deixando para depois itens não essenciais e que carecem de um crédito maior para serem adquiridos, como os eletrodomésticos e as roupas. “É por isso que, quando observamos as vendas do varejo, os setores que mais sentem os efeitos da restrição monetária são os de bens duráveis e semiduráveis”, comentou a assessora da FecomercioSP.

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Segundo Marcela, consumidor quer ter acesso a benefícios
Segundo Marcela, consumidor quer ter acesso a benefíciosFoto: Divulgação

As fintechs, startups do ramo financeiro, vêm chamando a atenção dos brasileiros por oferecer serviços monetários com taxas menores e menos burocracia que os bancos. A Nubank, por exemplo, conquistou milhares de usuários no início do ano ao lançar um cartão de crédito que não cobra anuidade. E agora outra empresa está revolucionando o ‘dinheiro de plástico’. É a Trigg, cartão de crédito digital que ‘devolve’ parte do dinheiro gasto em compras na fatura seguinte.

“Não queríamos ser só mais um cartão gerenciado por aplicativos. Por isso, fizemos uma série de pesquisas para encontrar um diferencial e chegamos a este modelo que oferece cashback, ou seja, dinheiro de volta”, explicou a head e fundadora da Trigg, Marcela Miranda, contando que essa ideia também atende ao desejo dos clientes de receber um benefício fácil de ser usado. “Nas nossas pesquisas, constatamos que 80% das pessoas achavam importante que o cartão tivesse algum tipo de benefício. Só que apenas 15% delas já tinham usado esse benefício, seja porque as milhas venciam ou não eram suficientes para a compra de uma passagem aérea”, justificou Marcela, dizendo que, na Trigg, o benefício funciona como um desconto na fatura seguinte.

Há cinco meses no mercado, a Trigg já recebeu solicitações para 228 mil cartões. Mas é preciso lembrar que o valor de cashbak corresponde aos gastos de cada cliente. “De tudo que você compra no cartão, volta um percentual. Mas esse percentual varia de 0,55% a 1,3% de acordo com os seus gastos. Quem usa até R$ 600 por mês, por exemplo, vai receber um cashback de 0,55%. Mas, se eu gastar R$ 1 mil, eu recebo R$ 7 de cashback.

E se a fatura der R$ 3 mil, o cashback é de R$ 30”, detalha Marcela. O cálculo do percentual é feito no site da Trigg.

Ela admite que o valor só chega a ser representativo se o cliente gastar muito no cartão. Para pagar a anuidade com cashback, por exemplo, é preciso ter fatura média de R$ 1,4 mil. “A anuidade custa R$ 118,80. São R$ 9,90 por mês. Mas há uma isenção nos três primeiros meses”, informou Marcela, dizendo que a Trigg cobra essa taxa para pagar o cashback. “Com anuidade zero, não conseguiríamos oferecer benefícios”, afirmou.

Os cartões Trigg são solicitados e liberados de forma online, por um aplicativo de celular. Basta baixar o app, informar seus dados e esperar a liberação da empresa. Não é preciso ter conta no banco para ter o cartão, por exemplo.

Mutirão da Compesa
Mutirão da CompesaFoto: Divulgação

Até o próximo sábado (26), a Companhia de Abastecimento de Pernambuco (Compesa) dará oportunidade de financiamento de dívidas para os moradores dos bairros do Ipsep e Imbiribeira, na Zona Sul do Recife. A Compesa instalou agências móveis em quatro pontos estratégicos desses bairros para que os moradores tenham acesso aos serviços personalizados. Ao quitar o débito, o cliente evitará penalidades como o corte e negativação de nome no Serviço de Proteção ao Credito-SPC/Serasa.

Segundo o diretor de Mercado e Atendimento da empresa, Eduardo Sabino, além de negociar dívidas, com opção de parcelamento em até 36 meses ou descontos atrativos para o pagamento à vista, os moradores podem solicitar revisão de conta, conserto de vazamentos em hidrômetros ou na rua e serviços de manutenção na rede de esgoto. O atendimento é imediato, realizado logo após á solicitação, sem que o cliente precise deslocar até uma unidade física ou ligar para o Call Center da empresa.

Além dos incentivos de parcelamento e descontos à vista, a Compesa vai ofecerer ainda a opção de postergar o vencimento da negociação efetivada para o dia 05 de setembro."Estamos em meados de agosto e sabemos que algumas pessoas podem perder a oportunidade por receber os seus proventos no início de cada mês", revela Eduardo Sabino.

Os bairros do Ipsep e Imbiribeira contabilizam mais de R$ 9 milhões em débitos e são regiões que recebem água todos os dias. "Somente nos últimos 12 meses a inadimplência nesses bairros cresceu 40%. O nosso objetivo é resgatar esses clientes, oferecendo todas opções de negociação possíveis para que eles se tornem adimplentes",esclarece o diretor. Diferentemente de outros programas de negociação de dívida nos bairros, essa nova edição agrega outros produtos, como serviços técnicos e operacionais.

Contas a pagar
Contas a pagarFoto: Reprodução/Pixabay

Só quem já passou por complicações financeiras sabe o quanto a preocupação com as dívidas pode nos deixar apreensivos. Isso é natural, já que as finanças representam uma parte importante de nossas vidas. Se elas não andam bem, o nosso bem-estar também acaba comprometido.

Para evitar que isso aconteça, repensar os hábitos de consumo é fundamental e exige muito controle e determinação. Todos os dias nos deparamos com “promoções” que falam com o nosso emocional, e, inconscientemente, somos estimulados a comprar sem necessidade.

Em junho, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) divulgou os resultados da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic): 24% das famílias brasileiras têm contas em atraso.

Divulgados em maio, os números da Serasa, por sua vez, são ainda mais preocupantes: mais de 60 milhões de brasileiros estão com o nome sujo e, juntos, acumulam uma dívida de R$ 274 bilhões.

A origem do endividamento no país é, também, cultural. Quando se trata de finanças, o brasileiro costuma “apagar incêndios” – ou seja, não se prepara para os imprevistos e, quando eles vêm, trazem desordem e aflição.

Modificar a postura e a maneira de enxergar o dinheiro é uma medida tão importante quanto complexa. Começar a fazer reservas e mudar os hábitos de consumo nem sempre são tarefas simples. Muitas vezes, é necessário fazer transformações no estilo de vida, abrir mão de luxos antigos e se dispor a sair da zona de conforto. Inicialmente, essas medidas podem parecer duras e até gerar alguns desentendimentos, mas se fazem necessárias para que o seu estilo de vida seja adaptado à sua renda. Tudo em busca de um bem ainda mais valioso: a sua tranquilidade.

* Dora Ramos é orientadora financeira com formação em Coaching e diretora da Fharos Contabilidade & Gestão Empresarial - www.fharos.com.br.

Segundo Oliva, objetivo é buscar resgate do consumidor
Segundo Oliva, objetivo é buscar resgate do consumidorFoto: Divulgação

Quem está devendo no banco por motivos que fogem do seu controle, como o desemprego, agora poderá negociar suas dívidas com condições especiais. É que, atento ao alto número de pessoas que entraram no rol de desempregados e endividados em função da crise econômica, o sistema bancário brasileiro decidiu oferecer um atendimento diferenciado aos chamados “inadimplentes por eventos especiais”.

As novas regras foram aprovadas pelo Conselho de Autorregulação Bancária da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e também vão beneficiar aqueles que devem por conta de doenças graves, casos de morte na família ou divórcios. “O objetivo é buscar o resgate econômico e financeiro do consumidor que está em uma situação de vulnerabilidade porque perdeu uma parte importante do seu rendimento de uma forma brusca”, explicou o diretor de autorregulação da Febraban, Amaury Oliva, contando que este compromisso foi firmado no último dia 10 e deve entrar em vigor em no máximo 180 dias.

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Ainda segundo Oliva, cada banco vai desenvolver seu modelo de negociação. Mas são muitas as opções de acordo. Os endividados podem ganhar, por exemplo, descontos, parcelamentos de dívida e até a possibilidade de migrar para uma linha de crédito mais barata. E junto a isso serão oferecidas noções de educação financeira aos endividados. “Queremos nos antecipar aos problemas”, justificou.

Por conta disso, os bancos ão oferecer condições diferenciadas de negociação a quem paga suas parcelas em dia, mas corre o risco de perder essa capacidade de adimplência em um futuro próximo. “Vamos ficar atentos aos consumidores que estão em dia com suas obrigações, mas enfrentam grau de endividamento excessivo. Mas eles terão que comprovar a situação complicada”, informou Oliva, dizendo que esse benefício vale para quem tem a maior parte do salário comprometida por débitos.

Essa ação preventiva ainda vai fazer com que os bancos assumam uma postura mais proativa na negociação de dívidas. “Hoje, é natural receber pedidos de negociação dos clientes. Mas o banco já acompanha o endividamento deles. Sabe quanto ele deve no cartão, há quanto tempo está no cheque especial. Por isso, vai passar a procurar esse consumidor para negociar essa dívida”, explicou o diretor.

E a Febraban espera ganhar com as mudanças. Oliva explica que haverá ganhos para o consumidor, que terá atenção especial; para os bancos, que com isso querem criar uma relação de confiança com os clientes e ainda devem reduzir o índice de inadimplência, recebendo mais recursos; e também para a economia brasileira. “Há um ganho porque o consumidor terá condições de continuar no mercado de consumo”, defendeu.

A vendedora Joana tem 40 anos e emprestou o cartão do banco a um amigo. Ele tirou R$ 500, mas nunca mais pagou. Ela só foi saber que estava no cadastro do Serasa muito tempo depois. Será que essa dívida prescreve? Como se faz para limpar o nome? Confira as dicas da consultora Georgina Santos, da Ágilis/RH.

Rafael ganha R$ 2 mil por mês como prestador de serviço de várias academias - ele é recém formado em educação física. O sonho dele é fazer uma pós graduação, mas será que as saídas com os amigos estão atrapalhando o plano? Confira a análise e as recomendações da consultora Georgina Santos, da Ágilis/RH.


O sonho de Ana é fazer um intercâmbio no futuro, para se especializar em direito internacional. Ela pede ajuda à consultora Georgina Santos, da Ágilis/RH, para aprender como se organizar melhor. A jovem recebe uma bolsa de estágio de R$ 1.300 por mês. Ela é filha única e sua faculdade é a principal despesa da mãe, Iolanda, que recebe R$ 17.000 por mês. Confira as dicas.

Trabalhador deixou de poupar para pagar as contas de casa e quitar as dívidas, segundo avaliação de especialistas
Trabalhador deixou de poupar para pagar as contas de casa e quitar as dívidas, segundo avaliação de especialistasFoto: Divulgação

Consumidores que desejam renegociar dívidas com instituições financeiras poderão fazê-lo pela internet até 31 de maio utilizando uma plataforma online disponibilizada pelo Governo Federal. A ação faz parte da 4ª Semana Nacional de Educação Financeira, que envolve órgãos e entidades como o Banco Central, Ministério da Justiça e Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

O consumidor interessado deve registrar seu relato na plataforma e a empresa credora tem até 10 dias para manifestar-se a respeito. Após a manifestação, o consumidor tem mais 20 dias para responder e classificar a demanda como resolvida ou não resolvida. A plataforma tem 377 empresas cadastradas.

Segundo o secretário Nacional do Consumidor, Arthur Rollo, as maiores instituições financeiras do País estão cadastradas. “Caso a dívida seja com uma instituição que não está cadastrada, o consumidor pode informar e a gente vai tentar contato”, explicou.

A renegociação de dívidas online também foi aberta durante a Semana Nacional de Educação Financeira do ano passado. Em 2016, houve 3.034 manifestações de consumidores finalizadas, com média de solução de 79,5%, de acordo com dados do Ministério da Justiça.

Rollo disse que durante a campanha há uma força-tarefa para estimular a resolução das dívidas, mas ressaltou que os Procons também podem fazer a mediação desse tipo de contato em outros períodos. “Nos Procons é desenvolvido o ano inteiro”, afirmou.

O ministério e o BC também anunciaram a abertura de inscrições para três cursos a distância gratuitos sobre economia.

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