Balanço na Rede

José Neves Cabral

ver colunas anteriores
José Neves Cabral
José Neves CabralFoto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Ignoro solenemente o que Vanderlei Luxemburgo disse aos jogadores nas suas primeiras preleções como treinador do Sport. A mim cabe apenas avaliar o desempenho do time e os resultados alcançados. E as consequências foram surpreendentemente positivas, pois vimos uma equipe de futebol bisonho e postura subserviente erguer-se. De repente, o vira-latas virou um pitbull a avançar sobre os rivais. Em pouco tempo, exibições e resultados memoráveis, como as vitórias sobre Coritiba, Santos e Bahia, fora de casa, algo incomum nas campanhas do Leão em competições nacionais.

Técnico experiente e, inegavelmente, vencedor, Luxemburgo parecia ter superado a nuvem negra que insistia em pairar sobre sua bela carreira. Talvez ele tenha se empolgado demasiadamente ao ver os seus discursos fazerem efeito na alcova do clube.

E resolveu expandir nas entrevistas coletivas. Diante de uma atuação fraca aqui ou ali, ele estufava o peito e rasgava o verbo, expondo time e atletas a cobranças além da conta.
Na mesma proporção de seus discursos inflamados, o futebol do Sport foi minguando até voltar ao habitual da era pré-Luxemburgo. É isso que estamos vendo nessas últimas nove partidas do time na Série A, quando despencou do sexto para o décimo sexto lugar.

De pretendente a uma vaga na Libertadores, o Sport passou a ser um forte candidato ao rebaixamento. O vinho virou vinagre e tem feito diretoria e torcedores sentirem um gosto amargo.

Num momento crítico, após a goleada para o Grêmio e o show verborrágico do treinador, a diretoria resolveu anunciar que estava renovando seu contrato, fato que se revelou uma solene bravata. Pouco depois, ficamos sabendo que o contrato sequer foi acionado. O anúncio precipitado era apenas uma forma de mostrar aos jogadores que a diretoria estava apoiando o treinador.

Aproveitando a “deixa” do apoio, o treinador trouxe o meio-campista Wesley, que estava encostado no São Paulo, fruto de seu futebol abaixo da média. E o jogador chegou com uma vaga de titular garantida. Mal treinou e já estreou no time de cima.

Mais do que apressada, a atitude de Luxemburgo em escalá-lo sem sequer esperar que se adaptasse ao ambiente e ao grupo quebrou uma regra básica entre os boleiros. Algo que eles não falam, mas que seguem veladamente entre si – quem chega tem que disputar posição, a não ser que seja uma estrela de primeira grandeza, o que não é e não era o caso de Wesley.

E desde que esse atleta entrou no time pouco acrescentou para justificar a atitude açodada de Luxemburgo. Com ele em campo, o Sport ainda não venceu uma partida sequer. Coincidentemente, ele não foi escalado contra a Ponte Preta, pela Sul-Americana, porque já havia atuado na competição. E naquele jogo o Sport obteve sua única vitória nos últimos dez jogos.

A derrota para o São Paulo jogou o Sport na panela de pressão da Série A e o time poderá começar a próxima rodada já no último andar da competição, o que o obrigará a vencer o Vitória, no Barradão, em Salvador, algo que nunca foi fácil.

Luxemburgo bem que poderia aproveitar o intervalo que tem pela frente para refletir a respeito de suas posições e da forma como escalar o time, privilegiando um apadrinhado que não vem rendendo apenas para satisfazer seu ego. O autoritarismo não faz bem a ninguém, principalmente a um comandante que precisa reorganizar sua tropa para as duríssimas batalhas à frente.

veja também

comentários

comece o dia bem informado: