Balanço na Rede

José Neves Cabral

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Tite, técnico da Seleção Brasileira
Tite, técnico da Seleção BrasileiraFoto: Divulgação/CBF

A lista de Tite e as chances da Seleção
O elemento surpresa foi sempre um item decisivo no futebol. Na lista apresentada por Tite neste início de tarde não há surpresas. Meia de grande poder de articulação, Arthur, do Grêmio, foi deixado de lado. O treinador preferiu não mudar o que vem dando certo, com Renato Augusto, em visível declínio técnico, e Fernandinho. No ataque, tanto fazia Taison ou outro qualquer - o Brasil vive um momento de extrema pobreza em termos de qualidade ofensiva. Em si, a relação apresentada evidencia o conservadorismo de Tite e, ao mesmo tempo, um conformismo com o time que ai está, já bem manjadinho pelos adversários.
Historicamente, as seleções brasileiras que conquistaram os cinco títulos mundiais tinham, em média, de três a até cinco jogadores com capacidade para mudar a história de um jogo. Na última conquista, em 2002, havia Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Fenômeno. A exceção foi 1994, quando tínhamos apenas Bebeto e Romário. Talvez por isso mesmo, o título tenha vindo de forma não convencional (nos pênaltis) Em 1958, havia Pelé, Garrincha e Didi, entre outros. Em 1962, Garrincha, Didi e Vavá. Em 1970, Pelé, Tostão, Jairzinho, Rivelino, Gérson...
Olho para esta Seleção Brasileira, armada por Tite, e vejo um bom conjunto. Mas, também, imensas dificuldades para conquistar uma Copa do Mundo. Apenas Neymar é diferenciado entre os convocados. Philippe Coutinho, William, Firmino e Gabriel Jesus ainda não demonstraram essa capacidade de protagonista. Fala-se muito de que a Alemanha, atual campeã, também tem um forte conjunto, mas nela destacaram-se Kroos, Müller,Özil, Schweinsteiger. Havia pelo menos quatro protagonistas naquele timaço, além do goleiro Neuer.
Nesta Seleção Brasileira, o único jogador que pode rivalizar com Neymar em termos técnicos é o lateral-esquerdo Marcelo, sim, ele é alguém que pode decidir uma partida numa jogada individual, mas, para isso, terá de sair lá de trás, da defesa, para resolver na frente. E os adversários sabem muito bem explorar contra-ataques. A Seleção de Tite pode até fazer uma boa campanha - não me surpreenderá se chegar às semifinais. Mas é difícil apostar que vá além disso.

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